quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Pavão


Uma vez, em um campo de borboletas, onde simplesmente admira-se e não prepara-se qualquer tipo de caça me esbarrei com um Pavão.
Era interessante, vistoso, mas mais do que isso, quando abria sua bela cauda, mostrando nela tudo o que era e tinha, tornava-se praticamente perfeito.
Me deparava com um impasse. Se eu colocasse no papel todas as características de um animal perfeito, ele as teria, todas. Ou quase todas como descobriria depois.
Ainda que o local do encontro fosse no mínimo estranho, ainda não era impossível que este animal não pertencesse àquele ambiente.
Fomos então nos conhecer. Faltava paixão, evidentemente.
Mas eu tinha o que ele queria, e ele tinha o que eu queria. Logo começamos o ritual estranho da família a qual pertencia. Conheci seu pai, ouvi falar de sua mãe que mora a além mar, e tudo em uma incrível velocidade.
Todas as vezes que nos encontrávamos era massante e cansativo.
Ele exibia em detalhes cada uma de suas plumas e eu parecia concordar, enquanto me entediava e usava detalhes mínimos para me distrair. E ele fingia que acreditava.
Alguns pontos eram notórios.
Ele admirava pequenas sutilezas tão femininas.. e se encantava com mimos não muito comuns. Tudo nele parecia artifical, mas em seu canto havia um pouco de verdade.
Ainda que meu interesse fosse simplesmente racional, esse jeito diferente me chamou a atenção e antes de partir eu precisava descobrir a verdade.
Fui ao seu campo, observar seu ambiente, e eis que um segundo pavão, um pouco menos colorido, mas maior e mais forte, apareceu completando qualquer lacuna de dúvida que restava.

Ri secretamente de toda a situação e me retirei deste cenário bizarro.
Seria nobre ser fachada uma vez que esta condição fosse clara e honesta... entretanto não era.

Aprendi que excesso de perfeição em geral esconde muitos pecados, guardados com mentira e vergonha...
Que o pobre Pavão consiga ser feliz, ou arranjar outra noiva para apresentar aos pais e completar assim seu leque colorido.

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